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Índice de Geologia e Mineração

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© 2007 José Robinson Alcoforado Dantas
Clóvis Ático Lima Filho
DNPM - 4º Distrito - Pernambuco

III - Considerações Estratigráficas

III.1 - Pré-Cambriano

O estabelecimento de uma coluna estratigráfica geral para o Pré-Cambriano de Pernambuco é um tanto complexo, haja vista as inúmeras proposições feitas pelos diversos autores que o estudaram em diferentes regiões do estado. Dentre esses autores podem ser destacados Moraes et al. (1964), Sial & Menor (1969), Dantas et al. (1970), Leal. J. de M. (1971), Santos (1971), Brito Neves (1973 e 1975) e Dantas (1974).

O primeiro ensaio no sentido de estabelecer o arcabouço estratigráfico do Estado de Pernambuco como um todo é devido a Dantas (1980) quando da 1ª Edição do Mapa Geológico do Estado de Pernambuco (Quadro 1).

Mais recentemente Gomes et al. (2001), reeditando o Mapa Geológico de Pernambuco, apresentaram um novo esquema estratigráfico bem mais completo que os anteriores, sendo esta a razão pela qual o adotaremos nesta síntese.

Por outro lado, considerando que a descrição de todas unidades pré-cambrianas presentes no Estado de Pernambuco, além de muita extensa, se tornaria monótona, optamos por reunir todas aquelas unidades em um quadro único (Quadro 2), no qual constam, além da descrição litológica e denominação de cada uma delas, a Idade, o Domínio, a Província e os Terrenos a que estão relacionadas.

As Figuras 6, 7 e 8 (compiladas de Gomes et al. 2001) dão uma melhor idéia sobre a distribuição das unidades pré-cambrianas no Estado de Pernambuco.

Figura 6

Figura 7

Figura 8
 

III.2 - A Seqüência Fanerozóica

Levando em consideração o conceito de Províncias Estruturais do Brasil de Almeida et al. (1977), as Bacias Sedimentares presentes no Estado de Pernambuco se enquadram em dois compartimentos distintos (Quadro 3):

Figura 4
 

III.2.1 – Província Costeira e Marginal Continental

III.2.1.1 – A Faixa Sedimentar Costeira Pernambuco/Paraíba

Dentro desta faixa sedimentar são reconhecidos dois segmentos distintos: o segmento situado ao norte do Lineamento Pernambuco onde encontra-se instalada a Bacia Sedimentar Recife-João Pessoa (Figura 9) e aquele situado ao sul do lineamento, localizando-se aí a Bacia Vulcano-Sedimentar do Cabo (Figura 10).

Figura 9

Figura 10

Bacia Sedimentar Recife-João Pessoa

Estende-se desde Recife até o vale do Rio Camaratuba, ao norte de João Pessoa. Segundo Mabesoone & Alheiros (1991) compreende três segmentos distintos: sub-bacias de Olinda, Alhandra e Miriri, separadas, respectivamente, pelas falhas de Goiana e Itabaiana/ Pilar.

O pacote sedimentar que a representa repousa sobre as unidades do embasamento pré-cambriano, relacionados ao Terreno Rio Capibaribe, e inclui uma seqüência de sedimentos continentais (Formação Beberibe) e marinhos (formações Gramame e Maria Farinha) datados do  cretáceo-paleocêno, reunidos por Beurlen (1967) no Grupo Paraíba (Quadro 3).

Amaral & Menor (1977) subdividiram esta seqüência em duas unidades distintas: a seqüência clástica basal, reunindo as formações Beberibe e Itamaracá, com um caráter marcadamente terrígeno, limitada, no topo, por um horizonte fosfático; e a seqüência carbonática superior, de caráter químico/bioquímico, incluindo os litotipos das formações Gramame e Maria Farinha. Abstraindo-se as coberturas cenozóicas, todo este pacote apresenta uma largura média em torno de 25 km, e uma espessura máxima que pode atingir 400 metros. Todo o conjunto mergulha suavemente para leste, mostrando um padrão homoclinal.

Grupo Paraíba

Denominação devida a Kegel (1957), é constituida de arenitos médios a finos, friáveis cinzentos a creme, mal selecionado, contendo algum componente argiloso. Leitos conglomeráticos e níveis argilosos podem ser reconhecidos na base da seqüência. Lateralmente, se interdigitam com um arenito mais compacto, com cimento carbonático, que corresponde, provavelmente, à antiga Formação Itamaracá de Kegel.

A sua espessura média é de aproximadamente 200m e a sua idade, de acordo com Beurlen (1967), é do Santoniano-Campaniano podendo se estender até o Maastrichtiano.

Com cerca de 400m de espessura, foi originalmente definida por Oliveira em 1940 (in Caúla, 1974), para caracterizar as ocorrências de calcários margosos que afloram no vale do rio homônimo, na Paraíba. Na sua conceituação atual compreende, segundo Mabesoone & Alheiros (1991), três fácies distintas: calcarenitos e calcários arenosos muito fossilíferos, interdigitados com fosforitos, na base e, no topo, calcários biomicríticos argilosos com as fácies supramesolitoral, fosfática e marinha plena.

Trata-se de uma unidade bastante fossilífera, caracterizada pela presença de gastrópodes, cefalópodes, lamelibrânquios, equinodermos, dentes e escamas de peixe. Este conteúdo fossilífero lhe confere uma idade maastrichiana.

Datada do Paleoceno (Terciário), encerra a seqüência sedimentar da Bacia Recife/João Pessoa, sendo constituída de calcários detríticos cinzentos a creme, com intercalações de níveis de argila que, em direção ao topo, tornam-se mais arenosos e mais magnesianos até tornar-se dolomítico. Sua espessura máxima conhecida é de 35 metros e a sua fauna é abundante de gastrópodes, lamelibrânquios, equinodermos, evidenciando um ambiente de sedimentação marinho pouco profundo e relativamente próximo à costa.

Bacia Vulcano-Sedimentar do Cabo

Limitada ao norte pelo Lineamento Pernambuco, que a separa da Bacia Recife/João Pessoa, e ao sul pelo Batólito Pernambuco/Alagoas (Cúpula de Barreiros), que a separa da Bacia Sergipe/Alagoas, a Bacia Vulcano-Sedimentar do Cabo inclui uma seqüência vulcano-sedimentar, do cretáceo, denominada por Amaral & Menor (1979) de Grupo Pernambuco que é, por sua vez, constituído, da base para o topo, pelos conglomerados, arcósios, arenitos grosseiros e siltitos da Formação Cabo, pelas manifestações vulcânicas, subvulcânicas e plutônicas da Formação Ipojuca, pelos calcários da Formação Estivas.

Rocha (1990), introduzindo uma nova unidade litoestragráfica aplicou a denominação de Membro Algodoais para melhor definir os conglomerados cretácicos (Coniaciano) posicionados no topo da Formação Cabo. Posteriormente, foi elevado à categoria de formação por Lima Filho (1994), que a posicionou estratigraficamente acima da Formação Estiva e pelos conglomerados e arcósios da Formação Algodoais .

Grupo Pernambuco

Cobra (1970) designou de Formação Cabo ao conjunto sedimentar constituído por duas fácies marginais (fácies brechóide e fácies arcoseanas) e uma fácies conglomerática central. Inúmeros outros autores desenvolveram estudos sobre esta formação, porém coube a Pedrosa Junior (1969) o mérito de subdividi-la em três unidades: uma unidade basal conglomerática, sotoposta a uma seqüência alternadas de arcósio e argilitos micáceos, sobre a qual repousa o conglomerado superior.

Segundo Lima Filho (1994) podem ser distinguidas nesta formação as fácies proximal, mediana e distal, cada uma mostrando características próprias no que ser refere à litologia e ao ambiente em que foram formadas. Na fácies proximal predominam conglomerados polimíticos e polimodais, com granulometria variada, depositados em leques aluviais por fluxo muito denso. Dispersos numa matriz arcoseana ocorrem seixos de granitos (mais abundantes), migmatitos, gnaisses e biotita xisto. A fácies mediana é também considerada como depósitos de leque aluvial, porém devido a uma queda da força hidráulica no ambiente deposicional, houve uma perda de capacidade em depositar os componentes maiores, sendo esta a razão pela qual predominam aí arenitos conglomeráticos arcosianos com estratificação cruzada. A fácies distal, de acordo com Alheiros (1990), está relacionada a um ambiente lacustre e encerra arcóseos, siltitos e argilitos placosos a laminados. A idade admitida para esta formação cretácica é do Aptiano Inferior.

Com esta denominação Amaral & Menor (1979) caracterizaram as manifestações vulcânicas, subvulcânicas e plutônicas que afloram na região situada entre municípios do Cabo e Ipojuca, a NE de Sirinhaém, e na Ilha de Santo Aleixo.

As rochas traquíticas são as mais abundantes (traquitos e traqui-andesitos) e ocorrem principalmente a nordeste da cidade do Cabo e entre esta a cidade de Ipojuca. Os basaltos afloram principalmente a nordeste e sudeste do Cabo, a nordeste e sudeste de Sirinhaém e na Ilha de Santo Aleixo. Os riolitos ocorrem a nordeste do Cabo, porém a maior concentração de afloramentos fica localizada na região entre Ipojuca e Sirinhaém e na Ilha de Santo Aleixo. Finalmente, o alcali-feldspato granito constitui o Cabo de Santo Agostinho e os depósitos piroclástico ocorrem exclusivamente a nordeste da cidade de Sirinhaém.

Moraes (1928) faz referências à descoberta de um calcário com gastrópode na localidade Estivas ou Mamucabinhas, ao sul de Tamandaré (na costa pernambucana), tendo na ocasião correlacionado-o às camadas Maria Farinha da Bacia Sedimentar Recife-João Pessoa e datado-o do Terciário. Oliveira & Leonardo (1940) o descreveram como sendo um calcário argiloso fino, cinza esverdeado e, na ocasião, correlacionaram-no a um dos termos intermediários do Sistema Sergipe. De acordo com aqueles autores, Mauri (1930), ao estudar o seu conteúdo fóssil, o dataram do Turoniano (Cretáceo).

A área de domínio mais expressiva dessa formação encontra-se localizada a SW de Nossa Senhora do Ó e, com relação aos calcários fossilíferos ali presentes, Cobra (1970) afirma que Beurlen, após a análise de sua fauna fóssil, constatou a presença do Neithea Sergipensis e, devido a este fato, o correlacionou à Formação Riachuelo da Bacia Sergipe/Alagoas, cuja datação é do Albiano (Cretáceo Inferior). Posteriormente, Lima Filho et al. (1994) concluíram que três níveis podem ser distinguidos nesta formação: o nível superior, representado por um calcário de coloração creme e composição dolomítica; o nível intermediário, argiloso, creme a cinza; e nível inferior, muito fino, de coloração cinza esbranquiçada, contendo fósseis das espécies Lopha ramicola, Ostra sp. e Venericárdia. Concluindo suas observações, chegaram à conclusão que estas camadas representam três ciclos transgressivos e que possuem idades entre o Cenomaniano e Turoniano.

Conforme já foi dito anteriormente, a introdução desta nova unidade na bacia ora descrita deve-se a Rocha (1990), que a denominou de Membro Algodoais. Em 1994, Lima Filho formalizou essa unidade como Formação Algodoais e reconheceram nela três fácies características de leque aluvial, denominando-as de fácies proximal, fácies mediana e fácies distal. A primeira inclui conglomerados polimodais oligomíticos maciços, de coloração roxa, contendo exclusivamente seixos de rochas vulcânicas e mostrando mergulhos da ordem de 15o para norte. A fácies mediana é composta por um arcóseo médio a grosseiro, mostrando estratificação cruzada, contendo seixos de quartzo e de tufo vulcânico dispersos numa matriz constituída de quartzo, feldspato e biotita. Por último, a fácies distal, que ocorre de forma descontínua, compreende um arcóseo médio a grosseiro, creme-róseo, constituído de quartzo, feldspato e biotita (rara), mostrando estratificação cruzada, textura imatura e, algumas vezes, tectonizados e intercalados com camadas argilosas. A existência de seixos vulcânicos nos arcósios indica que a Formação Algodoais é mais jovem que a Formação Ipojuca (90 a 114 Ma.), tendo sido datada, portanto do Coniaciano ao Santoniano (Cretáceo Inferior)
 

Bacia do Jatobá

A Bacia do Jatobá, instalada na Província Costeira, constitui o prolongamento da Bacia do Tucano Norte e encontra-se localizada quase que totalmente na região centro sul de Pernambuco cobrindo uma área de cerca de 6.000 km2. Segundo Correia -1955, (in Dantas, 1980), representa um meio graben alongado na direção N 70° E, estando limitado ao norte pela Falha de Ibimirim; a leste e a oeste pelo embasamento cristalino pré-cambriano; e a SSW esta bacia é limitada pelo Arco do São Francisco, sendo o rio homônimo seu limite geográfico.

Figura 11

O pacote sedimentar chega a atingir, na região de Ibimirim, cerca de 3.800m e, segundo Gomes et al. (2001), compreende cinco seqüências tectono-estratigráficas datadas do Paleozóico (Siluro-Devoniano ), Mesozóco (Jurássico e Cretáceo) e Cenozóico (Terciário-Quaternário).

A primeira seqüência, ou Seqüência Beta inclui o Grupo Jatobá (Correia,1955), que é, por sua vez representado pelas formações Tacaratu (Siluro-Devoniano) e Inajá (Devoniano).

Grupo Jatobá – Seqüência Beta

Ocorre de modo contínuo por toda borda leste e sul da bacia, sendo constituída de arenitos cremes, cremes esbranquiçados e róseos, de granulação grosseira, contendo níveis de caulim e leitos de conglomerado creme, com seixos arredondados a sub-arredondados de quartzo e feldspato dispersos numa matriz argilosa (às vezes de óxido de ferro) bem compactada. Apresenta estratificação cruzada de médio a grande porte e a sua espessura varia entre 250 e 300 m, segundo Barreto (1968). Repousa discordantemente sobre o embasamento pré-cambriano, e o seu contato superior com a Formação Inajá, na grande maioria da vezes, é feito de modo gradativo, entretanto em alguns locais se dá através de falhamentos normais.

Tem suas melhores exposições na cidade de Inajá, na Fazenda Caraibeiras e na Fazenda dos Nunes, onde acha-se representada por arenitos finos, siltitos e folhelhos. Os arenitos, de coloração variegada (cinza a rósea, violácea, creme amarelada e vermelho ferruginosa), são micáceos e arcósicos (algumas vezes), mostram estratificação cruzada e contêm intercalações de arenitos grosseiros a conglomeráticos, além de folhelhos, margas e lâminas de calcário. Sua fauna fóssil tem como principais representantes lamelibrânquios, braquiópodes e gastrópodes. A presença de gastrópodes Bellerophontídeos, de algumas espécies de lamelibrânquios Pteróides e de braquiópodes do gênero Nucullites indicam, segundo Barreto (1968), uma sedimentação devoniana para esta formação (Quadro 3).

Os siltitos são amarelos, róseos ou esverdeados e, via de regra, contêm concreções limoníticas e intercalações de argilitos. Os folhelhos cinza esverdeados são um tanto argilosos, micáceos e mostram fraturas preenchidas por finos leitos de aragonita. Subordinadamente ocorrem níveis calcíferos e bolsões de argila. Seu contato com a Formação Tacaratu (subjacente) é gradacional na maioria das vezes e com a Formação Aliança, que a sobrepõe, é balizado, quase sempre, por extensos falhamentos.

Supergrupo Bahia – Seqüências Pré- Rifte e Sin-Rifte

Com esta denominação Viana et al. (1971} formalizaram o conjunto de sedimentos continentais que ocorrem nas bacias Recôncavo e Tucano e que constituem os grupos Brotas, Santo Amaro, Ilhas e Massacará e a Formação Salvador, das quais apenas a última não se faz presente na Bacia do Tucano e, por analogia, na Bacia do Jatobá.

Dentro do contexto de Seqüências Tectono-Sedimentares o Supergrupo Bahia engloba as seqüências Pré-Rifte (Grupo Brotas); Sin-Rifte (grupos Santo Amaro, Ilhas e Massacará); e Rifte (formações Marizal, Santana e Exu).

Grupo Brotas – Seqüência Pré- Rifte

Shearer (1942) definiu como Formação Brotas uma seqüência de camadas vermelhas que cobria grande parte da Bacia do Recôncavo, cuja seção típica estava localizada na Rodovia Salvador-Feira de Santana, nas proximidades da cidade de Brotas. Barnes et al. (1949) a subdividiu nas camadas Sergi (superior) e Aliança (inferior) e, finalmente, Viana et al. (op.cit) elevaram-na à categoria de grupo, reconhecendo nele as formações Sergi e Aliança  (Quadro 3), conforme a concepção de Barnes (in Dantas, 1980).

De natureza essencialmente pelítica, é constituída de folhelhos e argilitos amarronzados e esverdeados fossilíferos (ostracodes), finamente laminados, contendo intercalações de siltitos e arenitos finos calcíferos, além de delgados leitos de calcário ostracoidal e calcário cinza mocrocristalinos. O seu contato com as formações paleozóicas subjacentes é discordante e marcado por falha, enquanto que com a Formação Sergi é feito de forma gradual. A existência de ostracodes lhe confere uma idade do Jurássico Superior e a sua espessura foi estimada por Barretto (1968) entre 200 e 250m, apesar do furo de sonda 1mst-1-PE (PETROBRAS) ter constado uma espessura de 182 m

Se acha representada por arenitos creme avermelhados, de granulometria variando de fina a grosseira (as vezes conglomeráticas), contendo intercalações de siltitos avermelhados e esverdeados e uma grande quantidade de madeira fóssil. É datada do Jurássico Superior em função da sua relação estratigráfica com a Formação Aliança, sobre a qual repousa em contato gradacional e interdigitado. Todo o conjunto, segundo Barretto (1968) atinge uma espessura variável entre 20 e 50 m.

Grupos Santo Amaro, Ilhas indivisos – Seqüência Sin-Rifte

O termo Santo Amaro foi aplicado por Taylor (1946) para caracterizar uma seqüência de folhelhos cinza esverdeados pretos, siltitos e arenitos lenticulares aflorantes nos arredores de Santo Amaro da Purificação (BA). Posteriormente, Barnes et al. (1949) subdividiram-na nas camadas Itaparica e Candeias, esquema este que persistiu até 1958, ocasião em que (segundo Viana,1971) geólogos da PETR0BRÁS (Grupo de Estudo da Bacia), levando em consideração a proposta de Barnes et al. aplicaram as denominações de Grupo Santo Amaro, Formação Candeias e Formação Itaparica, para melhor definir esta unidade.

Na Bacia do Jatobá é reconhecida apenas a Formação Candeias que é essencialmente pelítica e inclui folhelhos e siltitos de coloração marrom a cinza esverdeada, finamente laminados, intercalados com arenitos finos a grosseiros, contendo intercalações de calcarenitos, calcissiltitos silicificados, fossilíferos e, raramente, níveis de gipsita. Todo o conjunto atinge uma espessura entre 400 e 500m (Barretto,1968). É datada do Cretáceo Inferior e repousa de forma discordante sobre a Formação Sergi, cujo contato é, na sua maior parte, marcado por falhas.

De acordo com Dantas (1980), Pedro de Moura aplicou a denominação de Formação Ilhas para caracterizar um espesso pacote sedimentar constituído de arenitos maciços cinza esverdeados que afloravam nas ilhas Madre de Deus, Frade, Itaparica e outras situadas na Baia de Todos os Santos. Viana et al. (1971) elevaram-na à categoria de Grupo, no qual foram reconhecidas as formações Marfim (inferior) e Pojuca (superior). Na Bacia do Jatobá o Grupo Ilhas constitui faixas estreitas e descontínuas, constituídas, na sua porção inferior, por espessas camadas de arenitos finos a médios, com intercalações de siltitos e folhelhos. Em direção ao topo torna-se mais pelítica e inclui folhelhos calcíferos verdes e cinza azulados, siltitos ou arenitos e sedimentos argilosos laminados ou maciços laminados. 

Grupo  Massacará – Seqüência Sin-Rifte

O termo Massacará é proveniente da vila homônima do município de Euclides da Cunha e foi proposto por Viana et al. (1971) para caracterizar um seqüência arenosa com intercalações de argilas sílticas, folhelhos e raros calcários que sobrepõe ao Grupo Ilhas e engloba parte da antiga Formação Ilhas e toda a Formação São Sebastião. Na bacia em foco, a Formação São Sebastião é composta predominantemente de arenitos castanhos avermelhados, médio a grosseiros, contendo intercalações de argilas sílticas, folhelhos arenosos cinza amarelados, e restos de peixes (Lepidotus), ostrácodes e moluscos que lhe conferem uma idade do Cretáceo Inferior. Seu contato inferior com o Grupo Ilhas é transicional, enquanto que com a Formação Marizal, que a sobrepõe, é discordante.

Formações Marizal, Santana e Exu – Seqüência Pós- Rifte

A designação de Formação Marizal foi introduzida na literatura geológica brasileira por Brazil et al., em 1947 (in Dantas ,1980), para definir a seqüência de arenitos micáceos, médio a grosseiros, datando-os, na ocasião, do Terciário. Na Bacia do Jatobá é composta de arenitos arcósicos, finos a médios, argilosos e micáceos , de coloração amarela e rósea. Ocorrem ainda siltitos vermelhos e folhelhos cinzas contendo cristais de barita. Sua espessura varia entre 150 a 300m e sua idade do Cretáceo Inferior baseada em palinomorfos (Quadro 3). 

As formações Santana e Exu serão descritas quando da abordagem sobre a Bacia Sedimentar do Araripe, onde se mostram mais características.

III.2.2 - Bacias Sedimentares Interiores

Na área de domínio da Província da Borborema, nos Terrenos da Zona Transversal, estão localizadas as bacias interiores do Paleozóicas/Mesozóicas do Araripe, Cedro, São José do Belmonte e Mirandiba e as bacias Paleozóicas de Carnaubeiras, Betânia e Fátima, estas representadas exclusivamente pelos testemunhos da Formação Tacaratu (Quadro 3).

Figura 12

Bacias Paleozóicas/Mesozóicas

Bacia Sedimentar do Araripe

Instalada na Província Borborema, dentro da área de domínio dos Terrenos Granjeiro/Oricuri e Piancó-Alto Brígida (Gomes et al. - 2001), a Bacia do Araripe corresponde a uma bacia sedimentar de evolução policíclica, em cujo arcabouço estratigráfico podem ser distinguidas quatro seqüências tectono-sedimentares limitadas por discordâncias regionais ou por hiatos paleontologicamente definidos: a Seqüência Gama, do Siluro-Devoniano; a Seqüência Pré-Rifte, do Neojurássico; a Seqüência Rifte, do Cretáceo (Neocomiano) e a Seqüência Pós-Rifte, do Cretáceo  (Aptiano-albiano), segundo Ponte, 1991c e 1992a.

Figura 13

Estruturalmente, segundo Ponte (1991b), o segmento mesozóico da bacia (Jurássico Superior ao Cretáceo Médio) é formado por dois compartimentos estruturais superpostos: o compartimento inferior, corresponde às bacias do tipo rifte, encravadas em depressões estruturais do embasamento pré-cambriano, originadas do tectonismo Eo-Cretácico; e o compartimento superior, corresponde à cobertura tabular meso-cretácica que recobre aquelas bacias rifte.

A estratigrafia da Bacia do Araripe é abordada aqui sob o enfoque adotado por Ponte (1991, 1992 ) que conciliou duas concepções estratigráficas distintas:

  • de um lado o moderno enfoque da estratigrafia genética, que parte da identificação de seqüência tectono-estratigráficas naturais e dos sistemas deposicionais que as incluem, levando a uma melhor compreensão paleogeográfica da bacia;
  • e de outro lado o enfoque descritivo da litoestratigrafia formal (Quadro 3).

Esse objetivo foi conseguido mediante a redefinição da coluna litoestratigráfica da bacia (Ponte & Appi, 1990), de tal modo a subordinar as unidades formais às unidades genéticas identificadas na análise de sistemas deposicionais (Ponte, 1991c e 1992a). Enfoque semelhante já havia sido adotado no Brasil em mapeamentos geológicos regionais realizados pelo Departamento Nacional da Produção Mineral (Pedreira & Margalho, 1990; Guimarães & Pedreira, 1990 e Bonfim & Pedreira, 1990).

A definição da coluna estratigráfica da Bacia do Araripe (Quadro 4) remonta ao ano de 1913, ocasião em que Small reconheceu uma Série Sedimentar constituída da base para o topo, pelo Conglomerado Basal, Arenito Inferior, Calcário de Sant’Ana e Arenito Superior. A partir de 1962 intensificaram-se os trabalhos na citada bacia, que redundaram na descoberta de importantes depósitos de gipsita .

O esquema estratigráfico atualmente adotado para a Bacia do Araripe é devido a Ponte & Appi (1990) que, com base nos dados obtidos através de levantamentos geológicos e geofísicos, de estudos estratigráficos e morfoestruturais, promoveram uma revisão na estratigrafia daquela bacia (Quadro 3).

Desta forma, na Litoestratigrafia da Bacia do Araripe podem ser reconhecidas várias unidades, das quais encontram-se presentes, no Estado de Pernambuco, apenas a porção mais superior da seqüência sedimentar que, como veremos mais adiante, é representada pelas Formações Santana, Arajara e Exu.

Constitui a base da coluna sedimentar da Bacia do Araripe (Quadro 3) e registra o início da sedimentação, em condições de plataforma estável, sobre uma extensa área do nordeste brasileiro.

Datada do Siluro-Devoniano esta formação compreende os sedimentos terrígenos que representam o Sistema Deposicional Fluvial Entrelaçado e Eólico (Ponte, 1992 a), no qual observa-se uma nítida predominância dos arenitos médios a grosseiros de origem fluvial sobre os arenitos finos de origem eólica que repousam discordantemente sobre o embasamento pré-cambriano.

Grupo  Vale do Cariri - Seqüência Pré-Rifte

Repousando discordantemente sobre a anterior, a Seqüência Pré-Rifte constitui o registro sedimentar do estágio tectônico que antecedeu a ruptura ou rifteamento Eo-Cretáceo na Região Nordeste do Brasil. Esta seqüência inclui as Formações Brejo Santo e Missão Velha, que foram reunidas no Grupo Vale do Cariri.

Compreende duas associações litológicas distintas:a primeira representa a base da seqüência e inclui arenitos finos, siltitos e argilitos vermelhos alternados, contendo intercalações ocasionais de arenitos finos vermelhos com estratificações cruzadas, planares, de grande porte; a segunda, é composta por argilitos e folhelhos vermelhos ou marrons escuros, bem estratificados e raros leitos de folhelhos verdes, representa uma associação tipicamente lacustre rasa.

É constituída por uma associação de arenitos fluviais, mostrando uma sucessão de ciclos deposicionais granodecrescentes desde a base (arenitos grosseiros com níveis conglomeráticos) até o topo (arenitos finos, argilosos e siltitos). Em toda esta seqüência ocorrem madeiras fósseis.

Correlata ao estágio de ruptura do paleo-continente de Gonduana, que deu origem ao processo de formação da margem continental brasileira, a Seqüência Rifte representa o Andar Baiano das bacias pericratônicas que, de acordo com a PETROBRAS, subdivide-se em quatro andares: Rio da Serra, Aratu, Buracica e Jiquiá, dos quais se fazem presentes na Bacia do Araripe apenas o Andar Rio da Serra e, provavelmente, a parte inferior do Andar Aratu.

Ponte (1992a) afirma que na Seqüência Rifte daquela bacia é reconhecido apenas um sistema deposicional, o Flúvio-Lacustre Sintectônico Neocomiano, cuja associação litofaciológica, reunida sob a terminologia litoestratigráfica de Formação Abaiara, é constituída por uma alternância de arenitos argilosos, finos a médios e siltitos, argilitos e folhelhos de cores variegadas.
 

Grupo Araripe – Seqüência Pós-Rifte

Representa a base da Seqüência Pós-Rifte e do Sistema Trangressivo que se instalou na bacia, no qual são distinguidos dois ciclos flúvio-lacustre superposto: o primeiro ciclo está representado por arenitos médios que gradam, em direção ao topo, para arenitos finos e siltitos argilosos; o segundo ciclo, que encerra esta formação, está representado por folhelhos negros, betuminosos e fossilíferos. 
 

Inicia-se pelo Membro Crato, que, por sua vez, representa o ciclo flúvio-lacustre, no qual foram depositados os calcários cremes, laminados, ricos em fósseis de peixes. Sobrepondo estes calcários, ocorrem as unidades do Membro Ipubi, relacionadas ao ciclo transicional-evaporítico e marinho, responsável pela deposição dos bancos estratiformes de gipsita, intercalados por folhelhos, arenitos e arenitos calcíferos. Sobre esta unidade repousam os folhelhos, argilitos calcíferos e arenitos calcíferos do Membro Romualdo.

Representa o topo da fase transgressiva desencadeada na bacia ora descrita e encontra-se representada por siltitos laminados de cores variegadas.

Esta formação compreende o último estágio de sedimentação da Bacia do Araripe, representando o Sistema Fluvial Entrelaçado e Meandrante, Albo-Cenomaniano, e inclui os arenitos fluviais grosseiros do regime entrelaçado que gradam para os arenitos fluviais médios e argilosos do regime meandrante.

Bacia Sedimentares de São José do Belmonte e do Cedro

Estabelecendo uma correlação entre estas duas bacias e a Bacia do Araripe e aplicando os conceitos de Ponte (1992) com relação às seqüências tectono-sedimentares, chega-se à conclusão de que das quatro seqüências definidas por Ponte na Bacia do Araripe, apenas três podem ser distinguidas nas bacias ora descritas. São elas: a Seqüência Gama; a Seqüência Pré-Rifte; e a Seqüência Pós-Rifte, conforme é mostrado nas Figuras 14 e 15

A Seqüência Gama compreende a Formação Mauriti que é, por sua vez, constituída predominantemente de arenitos médios a grosseiros, subarcorsianos, nos quais se intercalam níveis conglomeráticos. Apresentam coloração creme esbranquiçada, com leves tons para cinza e mostram estratificação cruzada de grande a médio porte. Os arenitos finos (eólicos) são mais raros e são encontrados, próximos à cidade de São José do Belmonte, às margens da rodovia que liga esta cidade a Jati (CE) e na localidade de Areinha localizada cerca de 12 km a leste da primeira cidade. De acordo com Ponte essa associação litológica é representativa dos sistemas deposicionais fluvial-entrelaçado e eólico. Seu contato com o embasamento pré-cambriano e com as unidades que estão sobrepostas é feito, em geral, de modo discordante, muito embora, em vários locais é feito através de falhas normais. Apresentam-se muitas vezes intensamente silicificados e algumas vezes brechados, principalmente quando se constata a existência de blocos alçados ou rebaixados devido a falhamentos.

A Seqüência Pré-Rifte na Bacia do Cedro (Figura 14) encontra-se incompleta, pois somente aflora a Formação Brejo Santo, principalmente nas porções central e leste, normalmente em contato discordante com a Formação Mauriti e, mais restritamente na região centro-sudeste, nas extremidades sudeste e sudoeste da bacia, onde constitui faixas estreitas preenchendo depressões estruturais. Litologicamente é constituída por uma seqüência de siltitos, folhelhos e argilitos de cores variegadas, predominando as tonalidades marrons e avermelhadas.

Figura 14

Figura 15

Na Bacia de São José do Belmonte (Figura 15), tudo faz crer, esta seqüência se mostra completa, uma vez que na parte leste, repousando ora sobre os folhelhos e siltitos da Formação Brejo Santo, ora em contato discordante ou falhado com a Formação Mauriti, ocorre um pacote de arenitos grosseiros, localmente ferruginosos, constituindo um relevo típico caracterizado pelo desenvolvimento de formas escarpadas. Suas características fotogeológicas (tonalidade, drenagem, relevo, etc.) distintas daquelas mostradas pela Formação Mauriti e seu posicionamento topográfico acima desta formação levam a acreditar tratar-se de uma outra unidade, que é provavelmente a Formação Missão Velha.

A Seqüência Pós-Rifte, bastante incompleta e presente apenas na Bacia do Cedro, encontra-se representada pela unidade basal da Formação Santana, denominada de Membro Crato que, por sua vez, constitui a seqüência superior do sistema deposicional fluviolacustre-carbonático, Aptiano/Albiano. Aflora exclusivamente na porção norte da bacia, no Estado do Ceará, ocupando uma depressão tectônica alongada no sentido ENE-WSW, estando aí litologicamente representada por calcários laminados, argilosos, cremes e compactos, contendo intercalações de folhelhos e margas esverdeadas. Na sua grande maioria encontra-se limitada das demais unidades sedimentares por altos do embasamento, exceção feita apenas para a parte leste da bacia onde se contata com a Formação Mauriti através de falhamentos. Ao Norte, o seu limite com a Bacia do Araripe é marcado por um alto do embasamento pré-cambriano, balizado por extensas falhas de direção E - W
 

Bacia Sedimentar de Mirandiba

Segundo Dantas (1980), a Bacia de Mirandiba (Figura 16) foi descoberta e descrita pela primeira vez por Moraes, em 1948, ocasião em que incluiu este pacote sedimentar dentro do Cretáceo. Posteriormente, Barbosa et al. (1964) constataram a existência dos sedimentos paleozóicos da Formação Tacaratu (Siluro-Devoniano) e mesozóicos das formações Aliança (Jurássico) e Marizal (Cretáceo), das quais a de maior expressão é a Formação Tacaratu.

Figura 16

  • Formação Tacaratu

Que ocupa a maior parte da bacia (cerca de 95% de toda área, é constituída por arenitos médio a grosseiros, feldspáticos, contendo intercalações de leitos conglomeráticos e níveis de caulim. Mostram uma coloração creme esbranquiçada, estratificação cruzada e em muitos locais, principalmente próximo às falha, apresentam-se silicificados e muito fraturados.Estas características levaram Braun (1966) a correlacioná-la com a Formação Cariri (atual Formação Mauriti) do Siluro-Devoniano da Bacia do Araripe.

  • Formação Aliança

Ocorre ao norte do Riacho Terra Nova, próximo à cidade de Mirandiba, ocupando uma faixa de direção NE –SW em contato falhado com a Formação Tacaratu que lhe é sotoposta e em contato discordante com a Formação Marizal do Cretáceo Médio. Litologicamente é representa por uma alternância siltitos e folhelhos vermelhos fossilíferos, encerrando uma fauna de ostracodes (Metacypris sp. 3KR e Darwinula cf. Oblonga ROEMER, que segundo Braun (op.cit.) são típicos da Z-14 do Pubeckiano – Jurássico Superior.

Aflora na cidade de Mirandiba e às margens norte do Riacho Terra Nova, repousando discordantemente sobre as formações Tacaratu e Aliança, respectivamente. É composta por arenitos grosseiros contendo níveis de siltitos e folhelhos e uma fácies de solifluxão (torrente de lama), caracterizada pela presença de seixos, blocos e matacões da Formação Tacaratu e do embasamento cristalino pré-cambriano. As datações de folhas e folíolos coletadas por Barbosa em 1964 lhes conferem uma idade neocomiana/aptiana, portanto do Cretáceo Inferior a Médio (in Gomes et al., 2001).

Aplicando-se o conceito de seqüências tectono-sedimentares utilizado por Ponte (1991, 1992) na Bacia do Araripe, chega-se à conclusão que se encontram presentes na Bacia de Mirandiba a Seqüência Gama (Formação Tacaratu, correlata à Formação Mauriti), a Seqüência Pré-Rifte (Formação Aliança, correlata à Formação Brejo Santo) e a Seqüência Pós-Rifte, esta representada pela Formação Marizal.
 

Bacias Paleozóicas
 

Bacias Sedimentares de Fátima, de Betânia e de Carnaubeira
 

Representam relíquias de sedimentos Siluro-Devonianos que, segundo Cordani et al., correspondem a “frações de uma cobertura mais extensa, definidas pelas bacias Potiguar, Recôncavo-Tucano-Jatobá e Maranhão, com proveniência e história peculiares, aprisionadas em falhas do embasamento reativadas em dois períodos: imediatamente após o Devoniano e no Jurássico-Cretáceo” (In Gomes et al., 2001). Dentro desta ótica, Segundo Sampaio & Nortfleet (1973), os depósitos que preenchem tais bacias, são correlacionáveis aos depósitos siliclásticos da Bacia do Jatobá (Formação Tacaratu) e da Bacia do Maranhão (Formação Serra Grande) com as quais constitui, provavelmente, uma única bacia durante o Paleozóico. Por associação podem ser incluídas neste contexto as bacias do Araripe, do Cedro e de São José do Belmonte (Formação Mauriti), além da Bacia do Mirandiba (Formação Tacaratu).

As bacias ora abordadas Incluem os depósitos siliclásticos da Formação Tacaratu que, segundo Moraes et al. (1996) podem atingir cerca de 500 metros de espessura. Tratam-se arenitos finos a médios, com intercalações de delgados níveis de arenitos conglomeráticos.

Na Bacia de Fátima, além dos sedimentos corretos da Formação Tacaratu, ocorrem também cascalheiras da Unidade Fátima, datada duvidosamente do Terciário, coberturas eluvial arenosas do Tércio-Quaternário e cobertura aluvial arenosa do Quaternário (Figura 17).

Figura 17

III.2.3 - As Coberturas Cenozóicas

II.2.3.1 - Coberturas Tércio-Quaternárias

Estas coberturas, que ocorrem em várias regiões do estado (do alto sertão até a faixa litorânea), encontra-se representada pelos depósitos Tércio-Quaternários do Grupo Barreiras e pelas coberturas eluvio-coluviais arenosas, areno-argilosas e argilo-arenosas, além das coberturas lateríticas presentes, principalmente, na região de Brejinhos, nos limites com Estado da Paraíba (Serra da Piedade e Cariris Velho) numa cota média de 800 metros de altitude.

Dentre elas merecem destaque o Grupo Barreiras (Região Litorânea) e a Unidade Fátima (Bacia de Fátima), sendo esta última datada duvidosamente do Terciário, segundo Leite et al. (2000).

Segundo Dantas (1980), foi introduzido por Branner em 1902 para definir as “camadas variegadas que afloram nas diversas barreiras ao longo da costa”, foi gradualmente assumindo um sentido estratigráfico, tendo sido formalizado por Kegel em 1957. Sua seção tipo, descrita por Coutinho (1971), encontra-se localizada no histórico Morro dos Guararapes, na qual pode ser distinguida, do topo para base, a seguinte seqüência sedimentar: (in Dantas, 1980).

DESCRIÇÃO LITOLÓGICA

ESPESSURA (m)

11) Sedimento síltico-argiloso, cor roxa bem clara

1,40

10) Sedimento síltico-argiloso, cor amarelada

0,30

9) Sedimento síltico-argiloso, cor vermelha

1,20

8) Areia argilosa de aspecto homogêneo, seleção boa, coloração vermelho amarelada

0,90

7) Areia arcoseana, coloração amarelo esbranquiçada

1,20

6) Areia síltica vermelha

1,40

5) Areia pouco grosseira, coloração vermelho-viva, com caulim

2,80

4) Horizonte de seixos angulosos de quartzo

0,05

3) Areia quartzosa - arcoseana, de coloração roxa intensa,com seixos; ocorre às vezes sob a forma de lentes; apresentam contato irregular

2,30

2) Areia amarela, com pequenos seixos de quartzo, sem caulim, sem estratificação

1,20

1) Arenito vermelho grosseiro, com camadas de caulim de espessura 0,2m, conferindo um aspecto bastante estratificado

 

Base não visível

 

 

De acordo com Alheiros et al. (1988) ocorrem neste Grupo fácies típica de um sistema fluvial entrelaçado (cascalhos, areia grossa a fina de composição feldspática, coloração creme amarelada, com intercalações de silte e argila) e fácies transicionais para leques aluviais caracterizadas pela presença de diamictitos creme amarelados, com seixos e grânulos subangulosos de quartzo e bloco de argila retrabalhada, em corpos tabulares e lenticulares (com até 1m de espessura), intercalados com camadas síltico-argilosas menos espessas (In Gomes et al., 2000).

Compreende uma cascalheira relativamente espessa, contendo seixos de quartzo, de arenitos e de rochas do embasamento cristalino, dispersos numa matriz areno-argilosa oxidada. Bancos de arenitos conglomeráticos com estratificação cruzada acanalada podem ser observado nesta unidade. Topograficamente ocupa as cota mais elevadas, cobrindo uma área de aproximadamente 50km2, nas regiões centro-norte e noroeste da Bacia de Fátima, que, por sua vez localiza-se a SE de Carnaíba, na Região do Alto Pajeú.
 

III.2.3.2 - Coberturas Quaternárias

As coberturas quaternárias, distribuídas, na sua maior parte, na região costeira do estado, tanto nos tabuleiros, como nas planícies flúvio-lacustre são representadas por depósitos terrígenos (areias, argilas, cascalhos e conglomerados), por turfas, mangues (areia fina, silte, argila e restos orgânicos) e pelos recifes de coral e sedimentos de praia. Mais para o interior do estado são encontrados depósito aluviais, principalmente nos rios São Francisco, Pajeú e Moxotó.
 

 

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